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terça-feira, 18 de novembro de 2014

Texto: Embriagez



























"Quero a bebida mais forte!" - O garçom me olha com cara de estranhamento. Me mede da camisa social até o mocassim. Analisa minha maleta de couro e o bloco de notas. Minha maquiagem já desbotada e o suor escorrendo pela sobrancelha. Leio os seus pensamentos: "Muito inofensiva para tal pedido!". 
-Sou jornalista, sonhadora e tenho uns fragmentos de coração aqui dentro. Preciso de anestésico.
-Tudo bem.
"Eu derramando poesia no pobre garçom, que gafe!" - pensei enquanto fingia pegar o celular para saber o que fazer com as mãos. Ele me traz o drink e eu viro tudo de uma vez. Peço outro e repito o feito. "Mais um, por favor!" - ele traz admirado.
-Olha, moço. Fiz essa mesma sequência na minha vida, mas fodi com o meu coração ao invés do fígado. Tomei três violentas doses da cachaça mais forte e da pior qualidade, mas no rótulo, moço,tava escrito amor. Eu fui lá e tomei, sabe?
-Aham! - diz o garçom desinteressado na minha ladainha!
-Agora eu quero um tira gosto. Tira gosto mesmo, viu? Aqui e na vida. Aqui eu escolho uns petiscos de queijo e, na vida, uns beijos sem compromisso nem troca de telefones.


Texto por Renata Linard, 19 anos, estudante de Jornalismo e dona da página "O que Brotou das Dores".



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